Banco da Amazônia e Embrapa destacam necessidade de se domesticar produtos da Amazônia

16/07/2015 - Nesta quarta-feira, 15 de julho, o Banco da Amazônia e a Embrapa – Amazônia Oriental promovem o seminário Extrativismo Vegetal na Amazônia, com a participação do cientista Alfredo Kingo Oyama Homma, doutor em Economia Rural. O evento começa às 10 horas, no auditório Rio Amazonas, no prédio-sede da Instituição, na avenida Presidente Vargas, nº 800.

A mesa de abertura será composta pelo presidente do Banco, Valmir Rossi, e pelo chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Adriano Venturieri. Na sequência, Alfredo Homma, cientista do quadro da Embrapa, palestrará sobre os “Desafios e oportunidades para o desenvolvimento agrícola e social na Amazônia”, tema que serviu de inspiração para o livro “Extrativismo vegetal na Amazônia: história, ecologia, economia e domesticação”, que será lançado no encerramento do seminário.

Apoiado pelo Banco da Amazônia para desenvolver a pesquisa acadêmica que resultou na elaboração do livro, Alfredo Homma abordará durante sua palestra as imensas potencialidades dos produtos extrativos da região amazônica, principalmente àqueles cuja capacidade de oferta já atingiu o seu limite, como é o caso do cupuaçu, castanha-do-pará, bacuri, uxi, pau-rosa, guaraná, jaborandi, ipecacuanha e o piquiá.

O cientista destacará, ainda, a necessidade de se investir na domesticação dessas plantas, atividade que vai do manejo ao plantio, passando pela adoção de novas tecnologias que dinamizem a produção. Para ele é preciso plantar ao invés de se ‘catar’ os produtos na floresta. “Precisamos domesticar a produção, daí a importância desse esforço do Banco da Amazônia em investir em pesquisas, pois, quanto mais tecnologia, mais alternativas para enfrentarmos esse problema”, ressalta o pesquisador.

A domesticação ocorre quando a demanda pelos produtos aumenta, servindo, também, para assegurar mercados – os já existentes e os novos. Com este tipo de plantio é possível, ainda, gerar mais emprego e renda às populações da região. “Nos últimos dez mil anos, o homem domesticou cerca de três mil plantas e centenas de animais que fazem parte da agricultura mundial e que alimentam mais de 7 bilhões de pessoas. A primeira maçã que Adão e Eva provaram no Paraíso foi uma maçã extrativa, mas ninguém hoje está consumindo maçã, manga, laranja ou uva obtidas de forma extrativa porque todas foram domesticadas”, exemplifica Homma, para quem é preciso enfrentar a dependência excessiva da coleta extrativa ainda existente na Amazônia.

Outro fato que preocupa o cientista é a contínua drenagem dos recursos genéticos da região, pois com o crescimento dos mercados – grande indutor para a domesticação dos produtos – muitas vezes esses se consolidam fora da área de ocorrência do extrativismo. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o guaranazeiro, hoje produzido majoritariamente na Bahia, Estado que detém 72% da produção de guaraná no país, produto que até bem pouco tempo atrás tinha como centro produtor a região de Maués, no Amazonas.

“Não precisamos ir tão longe. O jambu, ícone da culinária paraense, hoje é cultivado em São Paulo e em países como a Índia, China e Japão”, exemplifica o pesquisador, para quem os investimentos em Ciência e Tecnologia são estratégicos para que a região amazônica siga na dianteira da produção desses produtos.

“Precisamos sair do discurso abstrato da biodiversidade amazônica, de supostas plantas que vão curar o câncer, AIDS, reduzir colesterol, etc, para um discurso concreto da biodiversidade, nominando estas plantas com metas estabelecidas, investindo nessa produção e em pesquisas”, reitera o cientista.

 

Banco da Amazônia já investiu mais de R$ 26 milhões em pesquisa científica

Desde 1999, o Banco da Amazônia apoia sistematicamente a pesquisa científica na região Amazônica, quando passou a desenvolver o Programa de Apoio a Pesquisa no qual já foram apoiados, com recursos financeiros não reembolsáveis, 371 projetos, em parcerias com mais de 40 instituições de pesquisa presentes na Amazônia Legal. De lá para cá já foram feitos investimentos na ordem de R$ 26,5 milhões.

Com os recursos do Edital Público de Pesquisa Científica e Tecnológica 2015, lançado no início deste ano, a instituição aportará à área mais R$ 1 milhão nos projetos selecionados. Esta edição contemplou os nove Estados da Amazônia Legal. Foram apresentadas 218 propostas e aprovadas 33, sendo 19 do Pará, seis de Rondônia, dois do Amazonas, dois do Mato Grosso, um do Amapá, um do Maranhão, um do Acre e um de Roraima.

Os projetos foram selecionados com base na somente na inovação, mas também pela amplitude dos resultados e benefícios que serão gerados por cada uma das ações desenvolvidas nesses projetos.