Banco da Amazônia incentiva projeto para desenvolver pecuária familiar leiteira no Pará

Segundo maior Estado em produção leiteira do Norte do país, o Pará é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do produto na região. E dentre as microrregiões que se destacam na área, Paragominas está em primeiro lugar. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município conta com mais de 26 mil cabeças de vacas ordenhadas, que geram uma produção diária de cerca de 20 mil litros de leite.

Parte dessa produção é feita em assentamentos rurais, como o Luiz Inácio, localizado a cerca de 120 quilômetros da sede do município. É nesse assentamento que será desenvolvido o projeto “Desafios da pecuária familiar leiteira: inovações para uma gestão sustentável da pecuária”, um dos ganhadores do Edital Público de Pesquisa Científica e Tecnológica 2015, do Banco da Amazônia, uma ação inédita da Instituição, lançada este ano para estimular a pesquisa na Amazônia. O projeto será executado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural (NCADR), em parceria com o Banco da Amazônia.

 “Todos os projetos contemplados com recursos do Edital apresentaram soluções inovadoras e criativas para o desenvolvimento sustentável em diversos campos do conhecimento. Dos recursos florestais ao Meio Ambiente, da produção animal à agricultura, priorizamos temas vitais para nossa região, que ainda carece de mais investimentos e a pecuária leiteira é uma dessas áreas”, ressalta Oduval Lobato Neto, gerente de Programas Governamentais do Banco da Amazônia.

No município de Paragominas, a produção leiteira tem se desenvolvido fortemente nas áreas de assentamentos, sendo a atividade responsável por manter o agricultor familiar no município por conta da renda gerada com a comercialização do leite e dos derivados do produto. Na comunidade Nova Jerusalém, no assentamento Luiz Inácio, o leite produzido diariamente serve principalmente à fabricação de queijo. O projeto “Desafios da pecuária familiar leiteira: inovações para uma gestão sustentável da pecuária”, proposto ao Banco da Amazônia pela doutora Soraya Abreu de Carvalho, professora do Núcleo de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Pará (UFPA), servirá para aumentar e melhorar a produção do queijo, que hoje é feito por uma cooperativa composta por 24 agricultores familiares.

“Ficamos muito felizes ao sermos contemplados com o Edital do Banco da Amazônia. No nosso caso, os recursos servirão para fortalecer a agricultura familiar no Pará e, em particular, dos agricultores de Paragominas. E o que é melhor, o banco incentiva à pesquisa e também a capacitação dos cooperados, o que permitirá aumentar a qualidade do que eles produzem”, ressalta Soraya Abreu de Carvalho.

Com o projeto, pretende-se adotar tecnologias e capacitar produtores, técnicos e estudantes envolvidos no trabalho para consolidar uma rede de agricultores experimentadores na localidade. “Queremos, ainda, gerar elementos para subsidiar a discussão sobre sustentabilidade dos sistemas de produção leiteira na região Amazônica”, frisa a pesquisadora.

Banco já investiu mais de R$ 26 milhões em pesquisa científica

Desde 1999, o Banco da Amazônia apoia sistematicamente a pesquisa científica na região Amazônica, quando passou a desenvolver o Programa de Apoio a Pesquisa no qual já foram apoiados, com recursos financeiros não reembolsáveis, 371 projetos, em parcerias com mais de 40 instituições de pesquisa presentes na Amazônia Legal. De lá para cá já foram feitos investimentos na ordem de R$ 26,5 milhões.

Com os recursos do Edital Público de Pesquisa Científica e Tecnológica 2015, a instituição aportará à área mais R$ 1 milhão nos projetos selecionados. Esta edição contemplou os nove Estados da Amazônia Legal. Foram apresentadas 218 propostas e aprovadas 33, sendo 19 do Pará, seis de Rondônia, dois do Amazonas, dois do Mato Grosso, um do Amapá, um do Maranhão, um do Acre e um de Roraima.

Os projetos foram selecionados com base na somente na inovação, mas também pela amplitude dos resultados e benefícios que serão gerados por cada uma das ações desenvolvidas nesses projetos.