05/05/2017 - EVENTO DIÁLOGOS AMAZÔNICOS MARCA O INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES PELOS 75 ANOS DO BANCO DA AMAZÔNIA

Marcando o início das comemorações pela passagem dos 75 anos da instituição, que ocorrerá no dia 9 de julho, o Banco da Amazônia promoverá, no próximo dia 30 de maio, o evento Diálogos Amazônicos: contribuindo para o desenvolvimento regional, planejado para estimular debates e reflexões, com a participação do poder público e da sociedade civil, para a interpretação dos determinantes das desigualdades regionais e à obtenção de subsídios à formulação de políticas de desenvolvimento mais efetivas para a Amazônia.

O evento ocorrerá no auditório Rio Amazonas, na sede da instituição financeira, em Belém do Pará.

A ocasião marcará, ainda, o lançamento, na região Norte, do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional - 4ª Edição: Homenagem a Milton Santos, iniciativa do Ministério da Integração Nacional (MI) e do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento. Idealizado para a reflexão, discussão e divulgação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), para possibilitar a compreensão das desigualdades regionais brasileiras em seu atual estágio e identificar alternativas de desenvolvimento em diferentes abordagens, o Prêmio Celso Furtado é realizada desde o ano de 2010, contando, desde então, com o patrocínio do Banco da Amazônia.

Na primeira edição do Diálogos Amazônicos, estará em evidência o legado de Milton Santos, o grande homenageado do Prêmio Celso Furtado deste ano.Nascido na Bahia em 1926 e falecido em 2001, o geógrafo teve sua obra reconhecida internacionalmente por abordar, de forma crítica e provocante, temas como a globalização, a ideologização da vida social, além de ter contribuído para a noção de território como espaço das relações humanas.

Para falar sobre a produção intelectual de Santos, foi convidado o professor Saint-Clair Cordeiro da Trindade Júnior, um dos maiores especialistas do Brasil na obra do geógrafo baiano. Professor e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), com doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP), Saint-Clair Trindade ministrará a palestra “Um olhar geográfico em perspectiva: a Amazônia na abordagem do espaço como instância social”.

Na ocasião haverá, também, o relato de experiência intitulado “O prêmio, a tese sobre estruturas espaciais urbanas e a influência de Milton Santos”, com Helena Lúcia Zagury Tourinho, professora e pesquisadora da Universidade da Amazônia (UNAMA), doutora em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e vencedora da terceira edição do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional, na Categoria I – Produção do Conhecimento Acadêmico - Doutorado.

As inscrições para o evento Diálogos Amazônicos: contribuindo para o desenvolvimento regional são gratuitas e podem ser feitas no site www.bancoamazonia.com.br.

Programação Diálogos Amazônicos

8h30 – Abertura do Evento - Ministério da Integração Nacional – MI; Banco da Amazônia; Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM

9h – Lançamento do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional - 4ª Edição: Homenagem a Milton Santos - Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional

9h30 – Relato de Experiência – “O prêmio, a tese sobre estruturas espaciais urbanas e a influência de Milton Santos” - Helena Lúcia Zagury Tourinho – Doutora em Desenvolvimento Urbano (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), Professora da Universidade da Amazônia (UNAMA) e Vencedora do Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional - Edição 2014 - Categoria I - Doutorado

10h – Palestra – “Um olhar geográfico em perspectiva: a Amazônia na abordagem do espaço como instância social” - Saint-Clair Cordeiro da Trindade Júnior – Doutor em Geografia Humana (Universidade de São Paulo – USP), Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), e autor do projeto de pesquisa “Um olhar geográfico em perspectiva: a Amazônia na abordagem do espaço como instância social”, baseado na obra de Milton Santos

11h30 – Coquetel

Sobre o Banco da Amazônia

Instituição financeira pública federal de caráter regional, o Banco da Amazônia atua com foco na promoção do desenvolvimento econômico e social da região amazônica, valorizando as potencialidades locais por meio de ações estratégicas voltadas à melhoria da qualidade de vida das populações e à redução das desigualdades intra e inter-regionais.

À porta de completar 75 anos de existência no próximo dia 9 de julho, a instituição vem, ao longo de sua história, realizando projetos e ações que lhe permitem ir além da ação creditícia. A realização do evento Diálogos Amazônicos é mais uma ação que se enquadra nesse contexto, que tem possibilitado à instituição cumprir com sua missão de contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, bem como colocar em prática seus valores, como o fato de ser um agente de mudança e estar comprometido com esse desenvolvimento em bases sustentáveis.

Segundo dados do Banco Central, o Banco da Amazônia responde por 64% do crédito de fomento no Norte do país. Em 2016, somente com recursos do Fundo Constitucional de Financimaneto do Norte (FNO), a instituição disponibilizou para a Região Norte R$ 3,38 bilhões, contratando R$ 2,33 bilhões (69%), sendo R$ 692 milhões para Rondônia, R$ 642,9 milhões ao Pará, R$ 563,5 milhões ao Tocantins, R$ 170,8 milhões para o Acre, R$ 162,4 milhões ao Amazonas, R$ 70,6 milhões para Roraima e R$ 31,6 milhões para o Amapá. Em 2017, o banco tem para aplicar no Norte, com recursos do FNO, R$ 4,6 bilhões.

Sobre o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional

Promovido pelo Ministério da Integração Nacional e pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, o Prêmio Celso Furtado de Desenvolvimento Regional objetiva promover o debate, do ponto de vista teórico e prático, acerca do desenvolvimento regional no Brasil, envolvendo o poder público e a sociedade civil na discussão e na identificação de medidas concretas, conforme a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), que atua na redução das desigualdades regionais e fortalecimento da coesão social, econômica, política e territorial do Brasil.

O Prêmio Celso Furtado objetiva, ainda, estimular o debate e a produção acadêmica sobre o desenvolvimento regional no Brasil, contribuir para o aprofundamento do conhecimento do tema e a busca de novas alternativas de intervenção no território em múltiplas escalas geográficas, e identificar e dar visibilidade às boas práticas regionais em execução no país, no que se refere à gestão dos sistemas de governança do desenvolvimento regional e aos bens e serviços produzidos pelas redes de sistemas produtivos e inovativos em escala que extrapole o âmbito municipal.

Os promotores da premiação desejam, também, identificar projetos inovadores a serem implantados no território, para melhoria da qualidade de vida, inclusão produtiva, diversificação da produção e melhoria e/ou manutenção da competitividade, que demonstrem potencial de transformação da realidade socioeconômica em múltiplas escalas, com especial interesse aqueles que privilegiem o uso sustentável de recursos naturais, ampliar a base de discussão e implementação da PNDR, e fomentar a produção de projetos e soluções para áreas mais necessitadas como Semiárido, território fronteiriço do Centro-Oeste e tecnologias.

Este ano, o Prêmio Celso Furtado tem seis Categorias. Na Categoria I - Produção do Conhecimento Acadêmico podem concorrer teses de doutorado e dissertações de mestrado, que abordem temas relativos ao estágio atual da dinâmica regional brasileira e/ou a implementação de ações alinhadas aos objetivos da PNDR. A Categoria II - Práticas Exitosas de Produção e Gestão Institucional é destinada a relatos de experiências em andamento de natureza econômica, social, ambiental, cultural e política com resultados positivos concretos, implementadas por instituições governamentais, por entidades privadas e pela sociedade civil organizada, que tenham gerado mudanças estruturais e transformações no território onde está instalada e em seu entorno, alinhadas aos objetivos da PNDR.

Na Categoria III - Projetos Inovadores para Implantação no Território podem concorrer propostas inovadoras para implantação no território, de natureza social, econômica, cultural, política e ambiental, com comprovado potencial de transformação da realidade socioeconômica, em escala macrorregional ou sub-regional, estruturados em redes de sistemas produtivos e inovativos, para o fortalecimento e melhoria das condições competitividade dos territórios, resultando na melhoria da qualidade de vida, geração de emprego e renda, e no desenvolvimento sustentável.

Quanto à Categoria IV - Amazônia - Tecnologia e Inovações para o Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA), podem ser inscritas teses, dissertações e projetos para implantação no território da Amazônia, área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) com foco nos programas do Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA): Agricultura, Pecuária e Extrativismo Sustentável; Ciência, Tecnologia e Inovação; Infraestrutura Econômica (Transporte e Energia); Desenvolvimento Social (Educação, Saúde, Cultura e Lazer, Saneamento Básico e Segurança Pública); Indústria e Turismo.

A Categoria V – Centro-Oeste – Desenvolvimento para a Faixa de Fronteira tem como foco projetos inovadores de atuação no território de natureza social, econômica, cultural ou ambiental, com comprovado potencial de transformação da realidade socioeconômica da Faixa de Fronteira abrangida pela área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), no caso, Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, voltados aos temas concernentes ao desenvolvimento regional antes abordados (dinamização econômica e inclusão produtiva, diversificação e fortalecimento da base produtiva e manutenção da competitividade) e, ainda, às especificidades de temas próprios à Faixa de Fronteira, entre eles: fortalecimento institucional (interfederativo e internacional) e desenvolvimento transfronteiriço.

E, por fim, a Categoria VI - Nordeste – Inovação e Sustentabilidade, onde podem concorrer propostas para divulgar boas práticas em governança municipal que têm demonstrado resultados positivos e que possam servir de exemplo e estímulo a outros municípios da região, inovadoras de atuação no território, de prestação de serviços ao cidadão, práticas de transparência pública e provimento de bens públicos aos cidadãos (saúde, educação, segurança, cultura e lazer), além de propostas que gerem subsídios ao Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que será atualizado e consubstanciado em agendas para o desenvolvimento regional.

Haverá premiação para os dois primeiros lugares de cada categoria, sendo que os vencedores receberão R$ 15 mil cada e, os segundos lugares, R$ 10 mil cada um. Poderão participar do Prêmio pesquisadores que possuam ou já tenham possuído vínculo com instituição de ensino superior sediada no país ou no exterior, desde que o trabalho seja elaborado e inscrito por brasileiro e o objeto de estudo se relacione a um tema ligado à problemática regional brasileira. E, ainda, pessoas vinculadas às instituições públicas, privadas, paraestatais, entidades de classe, agências e companhias que promovam o desenvolvimento regional, vinculadas às instituições da sociedade civil vocacionadas ao desenvolvimento regional, como Organizações Não Governamentais (ONGs), Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), organizações sociais, cooperativas, associações, fóruns, consórcios, conselhos e autônomos com atividades referentes à temática de desenvolvimento regional.

As inscrições desta 4ª Edição serão abertas a partir de 1º de junho e vão até 31 de julho de 2017. A avaliação e o julgamento das propostas inscritas ocorrerão de agosto a outubro e a cerimônia de outorga está prevista para o mês de dezembro deste ano. Além do Banco da Amazônia, o Prêmio Celso Furtado tem o patrocínio do BRDE, Banco do Brasil (BB) e Banco do Nordeste (BNB), com apoio da empresa Ticket, Sudam, Sudeco e Sudene.

Sobre Milton Santos

Nascido no município baiano de Brotas de Macaúbas, em 3 de maio de 1926, Milton Santos se formou bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 1948. Dez anos depois, em 1958, concluiu o doutorado em Geografia pela Universidade de Strasbourg, na França, sob orientação do professor Jean Tricart, outro expoente da Geografia mundial.

Santos foi jornalista e redator do jornal A Tarde (1954-1964), professor de geografia humana na Universidade Católica de Salvador (1956-1960), professor catedrático de geografia humana na Universidade Federal da Bahia, onde criou o Laboratório de Geociências.

Exilado político na década de 60, o geógrafo começa sua carreira internacional, tendo sido professor, na França, convidado pelas universidades de Toulouse, Bordeaux e Paris-Sorbonne. Na década de 70, também convidado, passou pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Boston, nos Estados Unidos, como pesquisador. E, ainda,  como professor convidado, ministrou aulas  nas universidades de Toronto (Canadá), Caracas (Venezuela), Dar-es-Salam (Tanzânia) e Columbia University (New York).

Milton Santos retornou ao Brasil em 1977. Dois anos depois começou a dar aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em 1983, começou a dar aulas na Universidade de São Paulo (USP), como professor titular de geografia humana até a aposentadoria compulsória.

Entre outras produções intelectuais, Milton Santos escreveu em 1978 “Por uma Geografia nova: da crítica da Geografia a uma Geografia Crítica”, uma das obras mais completas sobre a geografia crítica no mundo. Considerado um clássico, o livro segue atual até os dias de hoje. Na obra, Santos relaciona os problemas que impedem a construção de uma geografia orientada para uma problemática social mais ampla e construtiva, servindo, ainda, como base da obra “Natureza do espaço”.

Dividida em três partes – A Crítica da Geografia, Uma nova interdisciplinaridade e Por uma Geografia Crítica –, “Por uma Geografia nova: da crítica da Geografia a uma Geografia Crítica” faz uma revisão crítica da evolução da Geografia e propõe uma nova forma de pensar e fazer Geografia na contemporaneidade. Nela, o autor trabalha com categorias geográficas de análise que considera primordiais para o entendimento do espaço em sua “totalidade social”: estrutura, processo, função, forma, e temas diversos como Teoria, Prática, Método e Técnica.